Dieta, week 3

Pois é. Não foi o facto de ter engordado 23kg nos últimos 16 anos (!!!) mas sim a saúde que provocou isto. No último mês foram vários os médicos que visitei e entre um quisto benigno na tiróide a uma hérnia bastante dolorosa na barriga, somando históricos familiares assustadores dos 2 lados da família (os diabetes da minha mãe e o facto da minha avó materna ter morrido aos 40 com problemas de coração) e análises fora do comum fizeram com que fosse parar à Dra G., que já é médica da minha mãe e da minha irmã.

Vou na terceira semana de uma dieta definida por mim com bases dadas por ela. Como sopa a todas as refeições, não como hidratos ao jantar, acabaram-se os doces (e o meu rico croissant ao domingo) e as porcarias em geral é uma vez por semana permito-me esquecer a dieta.

Ontem, por exemplo, arrisquei tudo numa francesinha e estive até à hora de almoço de hoje com ela no bucho… :S

A 07 de outubro a minha avó partiu. A minha querida velhinha, que tanto sofreu, que tanto aguentou, que tantas vezes achávamos que era desta e ela dava a volta, encontrou finalmente o descanso. Fiquei muito triste com esta perda, o último mês dela foi de sofrimento atroz. Foi o melhor, é o que costumam dizer, ou já não sofre mais.

Dois dias antes fui vê-la. Disse ao R. vamos, para ela se despedir do herdeiro. Muito longe de saber que eu também me ia despedir.

A minha velhinha morreu com 92. Não preciso de chegar a tanto, mas quero ficar saudável para os meus filhos (e para mim)

Nota: peso antes da dieta, ao sair do Consultorio: 73.3

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Primaveras que parecem outonos

Ontem fiz anos. Tinha já escolhido 3 dias de férias e fui descansar para a aldeia. Tinha tudo para correr bem, estava calor, havia piscina, tinha lá a mãe para ajudar a tomar conta do herdeiro, e sempre eram 3 dias longe do trabalho.
Na véspera de ir, a bomba… o canídeo teve um AVC e a coisa não parecia que ia correr bem. Felizmente quando a fui buscar na segunda já estava melhor, já andava, já ladrava, já corria até!
Depois, o costume do verão na serra: fogos até dizer chega, um até esteve ativo 2 horas lá na aldeia mas facilmente resolvido.
Siga então relaxar?
Não. O herdeiro esteve hiperativo o tempo todo. Abrir e fechar o portão da entrada durante 2 horas foram um dos seus passatempos favoritos. Chorar foi outro deles. Cair? Perdi-lhe a conta! Não dormir, check!
E o calor maravilha que dava para ir à piscina? Desapareceu, transformou-se primeiro num fresquinho e no último dia num frio com toma lá chuva…
Os anos? Lá passaram. Com cada vez menos chamadas. Desta vez nem os meus primos ligaram. As pessoas não sabem que fazes anos se o facebook não as avisar. E já de propósito, o meu facebook não as avisa…

Comida de cebolada

Ontem de manhã, às 08:30, a caminho do trabalho, enfaixei-me no carro da frente. A coisa não foi muito grave, basicamente chapa (plástico no caso do meu) e umas dores ligeiras no lado esquerdo do corpo, provocadas pelo cinto.

Como bati por trás, assumi a culpa, assinei a declaração amigável e siga. Acho que também estava nervosa (e dorida) e queria despachar aquilo tudo. 

Mas hoje, ao fazer o mesmo caminho e ao passar no mesmo sítio, percebi que a culpa não foi minha. No local onde bati estava ontem parada uma carrinha das obras que me tapou a visibilidade e não me permitiu ver que havia ali uma passadeira, razão pela qual o carro da frente parou (que eu também não vi por causa da carrinha) e eu lá me enfaixei…

Claro que isto não vai mudar nada. Claro que a culpa continua a ser minha. Mas senti-me um bocadinho melhor ao perceber hoje o que se passou.

E um acidente, por mais ligeiro que seja, nunca é fácil de digerir…

Também eu me rendi…

Três sete oito ponto sete quatro

25 de abril. Feriado com espírito de deixa ver se não faço nada o dia todo… fui de manhã ao pão com o herdeiro, demos uma mini volta (o tempo não está agradável) e vim para casa encharcar o cabelo com azeite (dizem que o deixa macio e nutrido mas não fez porra nenhuma). Duas horas depois, tomar banho e vestir o pijama, liberdade é isso mesmo!

Almoçar, herdeiro a dormir, vamos até à cama e… sesta maravilhosa! 

Acordo sobressaltada com a cria a chorar e a minha mãe a dizer que ela precisa de ir ao hospital que não se está a sentir bem. Ora, na sexta passada a minha velhinha de 91 anos esteve 15 horas na urgência do S. João, por isso decidi ir ao privado, apesar de ter dito à minha mãe que achava que aquilo era ansiedade.

Estou em casa 4 horas depois. Análises, raio-x, electrocardiograma. Diagnóstico? Ansiedade. Quanto paguei? Pois…

15 anos e neste estado de nervos, de stress, de ansiedade? 

Acho que quem não dorme hoje sou eu…

Insónias 

Andei a evitar escrever. Quando não queres magoar, quando não queres que leiam, quando não queres que saibam, não fazes nada. 

São 03 e eu sem sono. Eu, que vou para a cama antes das 22, que adormeço quase logo, não consigo dormir. Tudo porque amanhã é feriado e pensei que podia por uma série em dia. E calhou de ser a estupida da Grey. Onde há uma personagem com cancro da mama e ela morre.

A V. partiu dia 25 de março. Exatamente uma semana depois de termos estado em casa dela. E não me venham com merdas, eu não estava à espera… não estava! Nunca imaginei que aquela era a última vez. Quando lhe disse que lhe levava lá o herdeiro, estava a falar a sério. Não era conversa de treta, não era pancadinha nas costas. 

Não lhe disse tudo o que queria. Fiz isso há pouco tempo com a minha tia. Despedi-me dela. Da V. não consegui. Não contava com isto. E por isso foi tão difícil receber a notícia, porque não era agora, ainda tinha muito para dizer…

Merda

Relativizar

Fevereiro foi um mês maravilhoso. O R. festejou 40 anos, o herdeiro o seu primeiro aniversário. Tivemos grandes festas cá em casa, com muita família e os amigos que também fazem parte dela. Tentei vir aqui e espalhar felicidade mas o tempo foge sempre…

Março está a ser uma cagada. Começou a primavera e quase neva no Porto de tanto frio que está e eu estou de cama com uma gripe. Estou a faltar ao trabalho pela primeira vez e apesar de saber bem ter um tempo para mim, os motivos não me deixam aproveitar. Mas a verdadeira cagada não é essa, obviamente.

O cancro da V. evoluiu demasiado. Estamos a falar de uma rapariga de 33 anos que não bebe, não fuma, não tem comportamentos de risco. E a merda da doença atingiu-lhe uma mama. E depois a coluna, o fígado, a outra mama, e o corpo todo. Fomos almoçar com ela no sábado. O ambiente esteve o mais descontraído possível, com poucos amigos e conversas casuais. Mas depois iam aparecendo pessoas e foi aí que as coisas se tornaram desconfortáveis. Para mim, pelo menos.

Vim cá trazer-te este ramo de flores, dizia a rapariga que quando chegou e lhe ligou ela rejeitou a chamada.

Como é que vives sabendo o que se passa? Como é que sorris para os outros um sorriso forçado quando a tua vida está nesse ponto?

Estive 2 semanas a acordar todas as noites com pesadelos por causa disto. Só comecei a dormir bem depois de a ter visto (e de me ter drunfado) porque não imagino o que é a vida assim.

Hoje, deitada na cama, entupida até aos olhos, com dores no corpo todo e a sentir que esta gripe é o fim do mundo, penso nela. E na estupidez que é a vida…