Já amanhã 

Amanhã começa uma nova etapa. Para mim e para o herdeiro principalmente, mas para toda a família em geral. Eu começo a trabalhar, o herdeiro vai para a ama, a cria passa a estar mais tempo sozinha, a sogra vem cá para casa durante a tarde porque é quem vai buscar o piqueno à ama, o pai vai chegar muitas vezes antes de mim a casa…

Estou feliz e angustiada ao mesmo tempo. Eu gosto de trabalhar (nem que me queixo milhões de vezes disto ou daquilo), eu não gosto de estar em casa sem fazer nada. O trabalho não é uma maravilha, o ordenado não é sequer meio sonho (quanto mais um), mas a rotina e a ocupação fazem-me bem.

Mas foram 9 meses em casa com o herdeiro. 9 meses de “nós”, de mimos, de ligações. E sinto-me tão triste por deixá-lo…

Tenho o coração apertado, tomei meio calmante e vou deitar-me para ver se corre tudo bem. Amanhã comunico!

Coisas que me mexem com os nervos

À conta de uns negócios de família, o N. tem ido cerca de 2 vezes por ano ao Dubai. Vai em férias, com a família, tudo pago, sem se chatear.

Mas o N. é também um “coitadinho” que só está bem quando as pessoas têm pena dele. Por isso, em vésperas de ir pela segunda vez este ano, queixava-se 

Ah, aquilo nem vão ser bem férias… a minha irmã partiu uma perna por isso vou ter de andar a tratar dela! 

E aí tive mesmo de lhe mandar 2 berros. Porque o gajo já foi 6 vezes a um sítio que eu se calhar nunca irei, porque vai sem gastar um tusto, porque fica em hotéis top 5 estrelas, e mesmo assim precisa de arranjar coisas para tornar aquilo “chato”

Gozar com os pobres é isto mesmo… 

Perder quem já estava perdido

E foi no domingo, dia 13, que a minha tia partiu. A notícia era esperada já há muito mas mesmo assim caiu como uma bomba. 

Na realidade ela já não era a mesma há muito tempo, acamada, fraca, quase sempre a dormir. Mas ainda sorria quando nos via e, a maior parte das vezes, conseguia arrancar-lhe um aceno com a mão quando me ia embora.

Dizer-lhe adeus foi muito difícil. Porque se passamos tanto tempo chateadas, tanto tempo a discutir, tanto tempo a desejar estar noutro lugar, ao mesmo tempo foi quem mais me amou a seguir aos meus pais. Fez tudo por mim, mesmo quando sai de casa aos 19 anos, chateada com a família.

Ela já tinha partido há muito. Agora só deixou de estar “ali”, onde a podia ver de vez em quando. E dói… 

Vagas memórias

Já há muitos anos que me queixo que tenho uma memória péssima. Não sei se tenho mesmo algum problema ou se é cansaço aliado a muitos anos de má vida mas a verdade é que não me lembro de 90% da minha infância nem de muitos outros tempos que as pessoas da minha idade se lembram tão bem.

Ontem disse à cria o J. vem cá trazer almôndegas que comprou no colégio por isso é o que vamos jantar, Ok? ao que ela me responde outra vez?

Bloqueei e fiquei a pensar será que comemos almôndegas ontem e eu não me lembro? Até que lhe perguntei mas já não comemos almôndegas há muito tempo, pois não? 

E a resposta lá veio não, mas acabaste de me dizer isso.

Ok. Aqui congelei mesmo. Não me lembro de lhe ter dito isso antes e, segundo ela, foi uma questão de 1 minuto.

Não sei o que se passa comigo mas não ando bem…

E trabalhar, não?


Depois dos planos de negócio com o F. não terem ido para a frente, esta foi a única hipótese que tive de trabalho. Seria uma coisa interessante, diferente, um desafio como eu gosto. 

Mas disse que não. Vamos lá aturar o herdeiro mais uns tempos para depois voltar ao ativo!

Tirar o pau de trás da porta

Passaram mais de 2 meses desde a última vez que escrevi. E a vida deu mais voltas do que sei lá o quê!

No início de agosto a minha relação com o R. estava por um fio. Muito fininho, quasiquasi teia de aranha. Não nos falávamos quase, não conseguíamos atinar com nada. Depois fomos até a aldeia passar 2 semanas e tudo mudou. Viemos de lá mais calmos, mais tolerantes, e agora estamos bem (apesar das pequenas brigas que vão sempre acontecendo).

No início deste mês conseguimos, finalmente, sair do buraco onde estávamos a viver. Estamos agora na casa que queria desde o ano passado (é que tínhamos perdido o concurso), num 6o andar, com muita luz, muito espaço, sem grades nas janelas, com uma cozinha onde não tenho de pedir licença ao pé direito para mexer o esquerdo. Sinto-me, pela primeira vez, em casa.

A mummy foi operada esta semana. Teve de tirar o útero e subir bexiga e cólon, estava tudo a cair por ali abaixo. Em princípio amanhã irá para a aldeia para descansar a vontade que bem precisa (e merece).

Terça (dia 18) foi também dia de fazer mais uma tatoo. A concha que homenageia o capitão herdeiro, as 2 estrelas que faltavam pois a cria fez anos segunda (e o ano passado não pude fazer por causa da gravidez).

Tenho mesmo de escrever mais regularmente, tinha tanto para dizer sobre cada um destes assuntos e fica aqui tudo assim ao deus-dará, parece que nem têm importância nenhuma… 

Pequenos momentos

Parar na mercearia de uma prima. Beber 2 copos de vinho branco numa espreguiçadeira enquanto se fala dos pais e dos tios, dos que já partiram e dos que cá estão. Passar ali 3 horas maravilhosas para chegar a casa e ter meio Carmo e 3/4 da trindade no chão. 

Que se foda, valeu a pena!