Também eu me rendi…

Três sete oito ponto sete quatro

25 de abril. Feriado com espírito de deixa ver se não faço nada o dia todo… fui de manhã ao pão com o herdeiro, demos uma mini volta (o tempo não está agradável) e vim para casa encharcar o cabelo com azeite (dizem que o deixa macio e nutrido mas não fez porra nenhuma). Duas horas depois, tomar banho e vestir o pijama, liberdade é isso mesmo!

Almoçar, herdeiro a dormir, vamos até à cama e… sesta maravilhosa! 

Acordo sobressaltada com a cria a chorar e a minha mãe a dizer que ela precisa de ir ao hospital que não se está a sentir bem. Ora, na sexta passada a minha velhinha de 91 anos esteve 15 horas na urgência do S. João, por isso decidi ir ao privado, apesar de ter dito à minha mãe que achava que aquilo era ansiedade.

Estou em casa 4 horas depois. Análises, raio-x, electrocardiograma. Diagnóstico? Ansiedade. Quanto paguei? Pois…

15 anos e neste estado de nervos, de stress, de ansiedade? 

Acho que quem não dorme hoje sou eu…

Insónias 

Andei a evitar escrever. Quando não queres magoar, quando não queres que leiam, quando não queres que saibam, não fazes nada. 

São 03 e eu sem sono. Eu, que vou para a cama antes das 22, que adormeço quase logo, não consigo dormir. Tudo porque amanhã é feriado e pensei que podia por uma série em dia. E calhou de ser a estupida da Grey. Onde há uma personagem com cancro da mama e ela morre.

A V. partiu dia 25 de março. Exatamente uma semana depois de termos estado em casa dela. E não me venham com merdas, eu não estava à espera… não estava! Nunca imaginei que aquela era a última vez. Quando lhe disse que lhe levava lá o herdeiro, estava a falar a sério. Não era conversa de treta, não era pancadinha nas costas. 

Não lhe disse tudo o que queria. Fiz isso há pouco tempo com a minha tia. Despedi-me dela. Da V. não consegui. Não contava com isto. E por isso foi tão difícil receber a notícia, porque não era agora, ainda tinha muito para dizer…

Merda

Relativizar

Fevereiro foi um mês maravilhoso. O R. festejou 40 anos, o herdeiro o seu primeiro aniversário. Tivemos grandes festas cá em casa, com muita família e os amigos que também fazem parte dela. Tentei vir aqui e espalhar felicidade mas o tempo foge sempre…

Março está a ser uma cagada. Começou a primavera e quase neva no Porto de tanto frio que está e eu estou de cama com uma gripe. Estou a faltar ao trabalho pela primeira vez e apesar de saber bem ter um tempo para mim, os motivos não me deixam aproveitar. Mas a verdadeira cagada não é essa, obviamente.

O cancro da V. evoluiu demasiado. Estamos a falar de uma rapariga de 33 anos que não bebe, não fuma, não tem comportamentos de risco. E a merda da doença atingiu-lhe uma mama. E depois a coluna, o fígado, a outra mama, e o corpo todo. Fomos almoçar com ela no sábado. O ambiente esteve o mais descontraído possível, com poucos amigos e conversas casuais. Mas depois iam aparecendo pessoas e foi aí que as coisas se tornaram desconfortáveis. Para mim, pelo menos.

Vim cá trazer-te este ramo de flores, dizia a rapariga que quando chegou e lhe ligou ela rejeitou a chamada.

Como é que vives sabendo o que se passa? Como é que sorris para os outros um sorriso forçado quando a tua vida está nesse ponto?

Estive 2 semanas a acordar todas as noites com pesadelos por causa disto. Só comecei a dormir bem depois de a ter visto (e de me ter drunfado) porque não imagino o que é a vida assim.

Hoje, deitada na cama, entupida até aos olhos, com dores no corpo todo e a sentir que esta gripe é o fim do mundo, penso nela. E na estupidez que é a vida…

A marcha das gajas 

No passado dia 21 de janeiro aconteceu, nos EUA e também um pouco pelo mundo, uma “woman’s march”, em que as mulheres mostraram a sua revolta por sentirem que não têm os mesmos direitos que os homens. E, apesar de eu concordar com isso em muitos e diferentes aspetos, nunca pensei em, por exemplo, juntar-me à marcha, por não me sentir tão discriminada como outras mulheres. 

Eu sei, devíamos lutar por todas, mas em Portugal não se fez grande coisa, e eu até tive o 1o aniversário do E. e depois ainda vim para casa cozinhar para 6 (família do R.)

São desculpas estúpidas. Devíamos ter todos os mesmos direitos e devíamos ter todos os mesmos deveres. 

Mesmo assim sou eu quem se levanta mais cedo. Sou eu quem se arranja com o herdeiro ao colo para que o pai possa dormir, tomar banho, vestir-se sossegado. Sou eu quem faz as compras e decide quem come o quê e quando. Sou eu quem cozinha para o herdeiro e para nós. 

Ando muito cansada, doente (há 3 dias que não sei o que é respirar pelo nariz e todas as coisas maravilhosas que as constipações trazem), e mesmo assim faço tudo.

Menos a cama. Disso trata ele. 😀 

Dar mais de mim

Não foram propriamente resoluções de ano novo (nunca as fiz) mas na última semana tenho decidido sair do marasmo. A verdade é que a minha vida é casa-trabalho-casa e mesmo aqui em casa mal o herdeiro está na cama vou a correr para a minha e durmo.

Sim, durmo!!!! Chego à cama e aterro, adormeço sem precisar de ver uma série, um filme, sem ler, sem nada. E isto, por muito bem que me saiba, não deve ser muito saudável a nível mental. 

Por isso, quando saio do trabalho, aproveito o trânsito e ligo para pessoas com quem não falo há muito. Ligar só por ligar, saber como estão, o que andam a fazer. Pode ser pouco, mas tem-me sabido bem. 

É um começo (?) ! 

Be thankful


Cá em casa sugeri fazermos isto este ano. Para já só eu participei mas cheira-me que o R. também vai fazê-lo. A cria é que não há maneira de convencer, tenho para mim que os adolescentes não se sentem gratos por nada… 😅