Cheers to the freakin’ weekend

Cheers to the freakin’ weekend
I drink to that, yeah yeah
Oh, let the Jameson sink in
I drink to that, yeah yeah
Don’t let the bastards get ya down
Turn it around with another round
There’s a party at the bar everybody put your glasses up and I drink to that
I drink to that.

O weekend chegou e trouxe com ele um misto de emoções. Amanhã à noite (sábado) será a última atuação do P. no Porto.
Diz que vai viver para Évora. Diz que, porque não foi ele que me contou.
Fomos melhores amigos durante anos. Inseparáveis. Foi a primeira pessoa a quem contei que estava grávida. A primeira pessoa com quem falei quando o meu pai morreu. Foi o meu grande confidente, o meu grande amigo, o único DJ que me faz mexer mundos para ir ver.
O P. vai embora e eu já tenho saudades dele.
Amanhã quero ir dançar enquanto ele põe música. Quero que seja a noite mais divertida de sempre mas só me apetece chorar…

Bolas…

A A. foi ontem operada. Tirou a tiróide por causa de um maldito cancro.
Hoje fui visitá-la e apertou-me o coração vê-la assim, frágil, pequenina, sem forças. Uma rapariga que, na sexta à noite, dançou comigo quase até ao sol raiar.
Estou triste, apesar de saber que não é um caso de vida ou morte. Não gosto desta puta desta doença…

Pequenas mentiras que contamos a nós próprios (e aos outros)

O N. está sem emprego há anos. Anos. Tantos que não sei como não deu em doido.
Ou melhor, ele deu e ainda não reparou nisso. Eu estou há 2 meses e já bato com a cabeça nas paredes, e todos os dias é ver-me enviar candidaturas e responder a anúncios e mesmo pedir cunhas (hoje de manhã até ao treinador do ginásio falei).
O N. teve, desde que acabou o curso (e que eu me lembre), uns 3 ou 4 empregos. E acho que os anos 2000 ainda não tinham entrado nessa altura.
Há um ano teve também um azar do caraças com uma doença grave (espera, já foi há mais do que isso, foi há quase 2!), o que fez com que desistisse ainda mais da “ideia de arranjar um emprego”.
O tratamento durou 6 meses e deixou-o debilitado e sem sensibilidade nas mãos e pés. Quando lhe comecei a chagar a cabeça para procurar emprego dizia que não podia por causa disso.
Como se, ao enviar uma candidatura, fosse imediatamente chamado para se apresentar ao serviço.
Quando a coisa começou a melhorar, o N. começou a enviar candidaturas. Frustrado por não ser chamado a nenhuma entrevista, dizia-me que havia poucos anúncios para a área dele. Cheguei a chatear-me com ele quando vivíamos (vivemos) numa altura de crise e ele só respondia para “a área dele”. Passou-se um ano e até agora nada.
Há uma semana, a mãe dele adoeceu. Está no hospital e provavelmente ficará lá algum tempo.
Hoje o N. perguntava-me o que fazia. Quando lhe respondi que estava a responder a anúncios de emprego, respondeu-me “Agora não posso pensar nisso porque quando a minha mãe for para casa vai precisar de mim. Por isso não posso arranjar emprego”.
Chegou a um ponto em que só quer estar em casa mas, ao mesmo tempo, só se queixa que está em casa. Precisava urgentemente de um “abrólhos”.

E eu não sei honestamente se ele sabe deste blog. Creio que nunca lhe falei dele (como à maior parte dos meus amigos), mas caso isso tenha acontecido, numa noite de copos e posterior amnésia, sei que ele se identificará em tudo o que aconteceu.
E pode até acontecer que não me dirija mais a palavra, mas pode ser também que lhe bata lá dentro e que ele perceba que não pode continuar a adiar a vida dele.

Frase do dia

Fé para mim é somente a última sílaba daquilo que me acorda de manhã.

A Tia B.

A Tia B. era tia de todos nós há muitos anos. Fazia parte da família de cada membro do “gang”. Um gang de betinhos, forinhas, malucos, insanos até.
A Tia B. participava das nossas conversas. Ouvia as histórias das mocas e contava as histórias dela. Quando tinha “a nossa idade” (falamos de um intervalo de tempo de há 17 anos para cá) a Tia B., numa altura em que tal era impensável, saía de casa e voltava meses depois sem dar notícias a ninguém. Uma vez foi até na comitiva de um presidente da república para o Brasil. Avisou a família meses depois.
A Tia B. gostava de beber uns copos e fumava como uma chaminé. Passava dias e dias e dias (pelo menos TODOS desde que a conheço) a escrever. Folhas soltas, letra ilegível. Podíamos até ter ali uma Saramaga, estórias tinha ela aos milhares para contar.
A Tia B. tinha um apartamento em Lisboa onde fiquei quando fui ver os Pearl Jam a um estádio qualquer que já nem me lembro. Mas lembro-me de tudo no apartamento. Do cinzeiro (Fuma Querido), do candeeiro que funcionava com toques, da moca gigantesca.
A Tia B. ligava-me e pedia que lhe levasse folhas, “daquelas branquinhas do computador”, para escrever.
A tia B. casou aos 63 anos com um juíz comendador de 85 anos. Disse que não casaria se não fosse assim. Viveu a vida como mais ninguém o fez.
E há cerca de 6 meses, com 82 anos, a Tia B. foi pela primeira vez na vida ao médico. Para descobrir que tinha um cancro e 6 meses de vida. Recusou tratamento, recusou ir a hospitais até ao fim. Nunca teve uma dor, esteve sempre bem, apesar de já não conseguir andar porque “a perna direita já não funciona”.
Há 2 noites, a Tia B. esteve bem o dia todo. À noite delirou, falou sozinha, despediu-se da vida como só ela o sabia fazer.
Ontem a Tia B. partiu em paz. Sem dor, sem sofrimento. Como merecia uma vida destas.
Deixou numa agenda uma lista de nomes de “VIPS” que incluíam todos os cafés aqui dos arredores. Não havia um único café na zona das Antas que não tivesse tido o privilégio de ter a Tia B. a escrever lá. Todos os funcionários de todos os cafés daqui conhecem a Tia B.
E o meu nome estava na lista também. Porque a Tia B. era a tia de todos nós e por isso era minha também. E eu sua um bocadinho.

Mantra

Todos os dias deveríamos fazer o que fiz hoje. Tirar uma hora e falar com alguém especial.
Alguém que nos faz bem e que, neste caso em concreto, me acompanha há 30 anos. Alguém que nos faz sentir melhor.
Não estava mal antes disso, mas depois fiquei tão feliz que quase explodia.
Não sei se é de passar muitas horas caladas no emprego, e das poucas vezes que falo faço-o em espanhol ou inglês, mas gosto cada vez mais de conversas. Das conversas. Daquelas. 🙂
(E sentia tanta falta de dançar, ontem tudo foi (quase) perfeito (faltavas tu para atingir “o estado”).)

Amigos

Tenho os melhores do mundo. E os mais filhosdeumagrandeputa também.

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