Troca de mensagens

Ela:
“Estou em casa do C., vim cá jantar. Está cá o M., o M., o A. e o M, [sim, tenho realmente “M”s a mais na lista de “amigos”]. E tu, que fazes?”

Eu:
“Nada de especial. Estou a ver o Barça com um japonês e um canadiano.”

Eu e os patrões – um caso de estudo

Há alguns anos convenceram-me a abrir o próprio negócio e criar o meu próprio emprego.
Na altura disseram-me que eu era das pessoas mais empreendedoras que por aí andavam, que teria seguramente muito sucesso e mais uma data de elogios às minhas capacidades de me auto-sustentar.
Acreditei porque os resultados de facto não eram assim tão maus.
Na altura, por informações erradas e por minha culpa (porra, que me custa escrever isto, já que a culpa não foi minha) uma vez que confiei “só” na contabilista da empresa, fui forçada a fechar portas.
Passaram-se desde então 3 anos e eu por cá continuei a saltar de emprego em emprego e a dizer mal de todos os patrões.
Sim, já me leram aqui ao longo destes anos todos muito mal de muito patrãozinho por aí espalhado, por melhores que parecessem no início.
A realidade é que eu não sou mais (nem menos, já agora) do que eles. Não tenho fórmulas secretas, não tenho um dom especial.
Mas, não sei bem porquê, parece-me realmente que percebo mais de TODOS os diferentes trabalhos que já tive do que os meus próprios (e vários) patrões.
Ora era o cromo da CdM que não pagava ordenados, que pedia exorbitâncias pelos serviços quando se arranjava no mercado bem mais barato (e muitas vezes melhor) mas depois comprava carros novos e fazia obras em casa e mais uma data de merdas (e me descontou do ordenado a única semana de férias que tirei em 8 meses); ora era o gordo rico que um dia decidiu abrir um restaurante porque gostava muito de comer e realmente conseguiu levá-lo (comê-lo) à falência e não sabia sequer como se punha uma mesa; ora era o pai do floquinho que criava e fechava empresas a torto e a direito, que tinha torneiras de ouro em casa mas não sabia nada de educação, de respeito e de muitas outras coisas essenciais à boa formação de uma pessoa; ora serão então os actuais.
Que sim senhora, têm vários negócios iguais espalhados pela cidade, que funcionam muito bem e bla bla bla, mas que de repente vai-se a ver e não fazem a mais pequena ideia do que se passa em cada um deles e por isso os próprios funcionários obrigam-se a inventar.
Conseguiram, em pouco mais de um mês, que lhes perdesse todo o respeito. Porque se é verdade que um patrão não tem de estar sempre no seu estabelecimento (senão não seriam necessários os escrav… funcionários), também é verdade que se ele nem sequer conhece bem o seu próprio estabelecimento (“ah, que giro, não sabia que isto existia!” ou ainda a melhor “ah, boa, já tiraram as decorações de natal” – em finais de fevereiro, ou ainda “que máquina é essa? ah, de secar a roupa? Gira!”) nem lhe põe os pézinhos uma única vez por, sei lá, MÊS???, como se pode respeitar assim?
Quando abri o meu negócio disseram-me que nenhuma empresa dava lucro nos primeiros 5 anos. Que esse seria o mínimo de tempo que teria de me aguentar e, basicamente, de me esfalfar até à morte, para que depois pudesse gozar a minha empresa, o meu negócio, a minha cena!
Quero acreditar que se não fosse a tal treta da contabilista, hoje (ao fim de 4 anos de início de actividade) a coisa estaria muito diferente. Que já teria, sim, começado a dar lucro, uma vez que a coisa estava realmente a ser bem feita.
Não me arrependo honestamente de tudo o que fiz ao longo destes 4 anos. Foram cometidos erros, mas estes foram também necessários para que crescesse (e muito) como pessoa e estivesse no ponto (de rebuçado) em que estou neste momento.
Posso afirmar, sem papas na língua, que sou uma das melhores mães que já vi no mundo. Que a minha filha é uma criança saudável, feliz, inteligente e linda que só ela. Que a relação com a minha família melhorou, que perdi bastantes amigos mas os mais importantes permanecem, que tenho o melhor marido do mundo.
E talvez, se a PAC ainda hoje estivesse aberta, eu estaria feliz profissionalmente mas a falhar numa série de campos que me tornariam uma pessoa pior.
Mas na realidade, já estava mais do que na altura de ganhar um euromilhões. Não pelo dinheiro em si. Mas pela ajuda que me daria a ter o meu próprio negócio (que não necessariamente igual).
Poderia falhar como falham todos os patrões, sim senhora, que (diz que) são humanos e tal, mas tenho cá para mim que, porra!, faria um trabalho do caralhão.
De putamadre!

Domingo

Adiei o despertador vezes demais e por isso acordei atrasadíssima.
Não tive tempo de preparar pequeno almoço nem almoço para trazer para o trabalho.
A moça do turno da noite de ontem não me enviou sms a dizer quantas pessoas estavam por isso não sabia quantos pães tinha de comprar para o pequeno almoço do hostel. Atrasadíssima, comprei 10 e rezei para que chegassem.
O primeiro gajo a ir tomar pequeno almoço comeu APENAS 5, por isso lá tive de ir procurar um sítio onde me vendessem mais pão (em Miragaia, a um domingo às 8 da manhã acreditem que é difícil).
As 4 hóspedes seguintes comeram nada mais nada menos do que um pacote e meio de manteiga. Por isso não sobrou manteiga para os seguintes.
A zuca vem ter comigo e diz “Não vou beber leite puro, não! Não tem um chocolate?” Oh querida, temos chá, temos café, temos leite. Temos pão, temos compotas (não temos manteiga porque as outras lontras comeram toda), mas por 9 euros a noite vai mesmo entrar por aí?
Além disso, o “desayuno” está disponível até às 10.30. Pois que descem para comer às 10.25 e eu que me foda e espere que suas excelências comam para ir arrumar tudo e depois tratar dos quartos, wcs, e da roupa toda também, já que a mocita ontem à noite em vez de fazer o que lhe competia andou a pendurar cortinados e mais não sei o quê.
Se há dias em que trabalhar custa, hoje é definitivamente o top deles. Apetece-me mandá-los todos à belhota deles e voltar para a minha cama.

B.C.

Olá, o meu nome é M. e sou mais BC (Borrachona Conhecida) do que AA. Mas não bebo há 35 dias.
E isso começa a afectar-me. Sim, adoro beber um bom vinho num jantar de amigos. Sim, de beber uns (quantos) whiskies depois do mesmo.
Mas nem uma gota de alcool passou por estes lábios nos últimos 35 dias.
E quando se trabalha num sítio onde todos estão de férias, quando se trabalha num sítio onde todos provam o Vinho do Porto, quando se trabalha com um monte de estrangeiros borrachões, é muito difícil.
Quando se tem amigos que bebem mais que eu, quando se está constantemente rodeada disso, é um sacrifício do outro mundo.
Hoje passei quase uma hora a googlar o que poderia acontecer se bebesse um copito. Sim, não estamos a falar de apanhar uma moca. De lamber o chão. De ficar para lá de Bagdad. Estamos a falar de um copito.
Só um. Arre, isto custa….

Inverno?

Eu sei que o País está em seca extrema. Que é preciso chuva para os campos, para as terras, para os animais. Que há fogos. E tudo e tudo.
Mas por mim, tínhamos dias de Inverno como hoje, sempre!
E a continuar assim, aproveito a próxima folga (terça-feira) e vou dar um salto até à praia!

Guerras Norte-sul

Se há coisa que me irrita solenemente aqui no hostel é quando os lisboetas (vulgo, mouros) cá estão e dizem mal do Porto.
Atenção, eu sei que cada um defende a sua cidade. Eu sei que no meu caso também digo que no Porto tudo é melhor. A cidade é mais bonita, as pessoas são mais simpáticas, o trânsito não é tão infernal, há mais “espaço” e mais “tempo”, and-so-ion and-so-ion. Mas quando aqui me pedem informações sobre “Marrocos”, nunca disse mal da cidade.
Digo que é maior, mais “cosmopolita”, mais capital, que tem uma luz fantástica, e que… prefiro o Porto.
Neste momento encontro-me na sala do hostel a ouvir um mouro a falar com duas chilenas que vão amanhã para lx.

“Ah, não, lx é muito mais bonita. E o Porto é muito pequenino, a caminhar pode-se percorrer a cidade toda num dia (“há-des-me” explicar como pá, que eu ando muuuuito a pé na minha cidade e não consigo percorrer nem um décimo em 3 horas), e isto aqui é tudo muito estreito e muito velho e muito sujo…”

Oh minha ganda besta, meu murcão dum raio, estás-a-esta-distância-de-te-meter-sal-na-cama-esta-noite-mouro-duma-figa!

(Rápido edit, a propósito de uma coisa que uma amiga publicou há 10 minutos no FB:

“As raparigas do Norte”, por Miguel Esteves Cardoso
”As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos impossíveis. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer.”)

A p*ta da calçada…


Sim, que é bonita a nossa calçada (e sim que me fode os tacões todos também). Mas deviam seriamente considerar asfaltar as putas das estradas!!!
07:45 da manhã, rua a descer A PIQUE, chuva a potes, lá vai a M. a atravessar a rua. E, tal como nos desenhos animados, a sapatilha desliza, os 2 pés vão ao ar e o rabo cai estatelado no chão. No meio da estrada.

Não, não tinha uma pasta na mão. Mas tinha uma mochila às costas com almoço, jantar, lanche, drunfes e o mac. Tal foi a queda, o meu bichinho ficou todo amassado…
E numa das mãos, o guarda-chuva (já disse que chovia a potes?), nas orelhas os auscultadores, no bolso do casaco o ipod.
Pois que voei eu e voou tudo comigo. Tenho o meu sim-senhor em tal estado que já passaram mais de 13 horas e ainda não me consigo sentar.
O mais caricato de tudo foi quando 3 rapazes que estavam à porta da esquadra (onde eu estava a atravessar a rua) me vieram ajudar a levantar, a endireitar o guarda-chuva, a ir buscar os auscultadores uns metros à frente. No meio de muitos “mas estás bem?” e “esta calçada devia ser proibida, mesmo os carros não conseguem parar” há um que diz “M.?”
E eu, ao fim do que me pareceram horas para levantar o rabo do chão, levanto a cabeça. E um “fantasma” com 16 anos está à minha frente, a tentar endireitar o g-c.
Os outros 2 lá pensaram “porra, eles conhecem-se?” e fugiram. E eu petrifiquei. E agradeci a ajuda, tentei pegar no guarda-chuva e justifiquei-me “tenho mesmo de ir, estou atrasadíssima para o trabalho”.

Estou no hostel há exactamente 13 horas e 35 minutos, não me consigo sentar porque me dói demasiado o rabo, tenho os braços doridos de dobrar quilos e quilos de lençóis e toalhas, doem-me as pernas de subir, só hoje, milhares de degraus.
Ah, e a sopa que trouxe para o almoço azedou.
E deixei em casa os muesli que misturo com os iogurtes.
E estou rabugenta e quero ir dormir.
Tenho dito!
(Afinal não, esqueci-me: um dos hóspedes deu-me um pudim para comer de sobremesa. Pronto, subiu um bocadinho a moral…)