Não há respeito…

Sou escrava.
Sou mal paga.
Não tenho férias.
Não tenho sequer direito a ter o dia 31 de Dezembro de folga.
Estou tão cansada que adormeço em todo o lado a toda a hora.
Não tive, obviamente, direito a subsídio de férias nem sei quando verei o ordenado de Dezembro.
O que vale é que amanhã acaba o ano.
Os planos são de passar a meia-noite com a cria e depois ir… sim, dormir.
E por favor, não me acordem antes de dia 2 de Janeiro.

A passear pela net encontrei um site com uma foto do meu pai. Assim, sem mais nem menos.
Imagino o que ele diria se visse a cara dele escarrapachada para toda a gente ver.
Imagino-o com piadas do género “imprime isso para guardar”.
Imagination is all that’s left for me…

Natal

Foram várias destas

uma destas

e várias destas também

Valha-nos o vinho para ultrapassar esta época…

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que não viva já ninguém meu conhecido
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo o Nada a sós comigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o Nada retome a cor do Infinito

David Mourão Ferreira

Oh god…

… I hate my life…

Oh Noé, traz a arca!!!

Firts things first.
Ogajodeleiria não é o único que vem cá. Agajadeleiria também vem e eu peço-lhe desculpas por não a ter mencionado no post anterior.

Agora a primeira parte da história: a minha cria, com 8 anos, tem uma vida social mais activa que eu.
Sim, é verdade, com 8 anos, foi dormir fora hoje. Não é a primeira vez que o faz nem será a última.
E quando saí de casa, às 22.30 para a levar a casa da amiga, vejo que há água a mais na garagem do prédio.
Aviso o administrador do condomínio, despacho a cria e volto em menos de 10 minutos.
As ruas da cidade estão indescritíveis. Não consigo explicar a sensação de que estou a andar de barco, quando a água está MESMO quase a entrar pelas portas do carro.
E quando chego, a garagem tem ainda mais água.
Nesta altura já estávamos lá 7 pessoas, de galochas, pás, vassouras, baldes, mangueiras, tudo a tentar desentupir as fossas, a tentar escoar o dilúvio e sem resultados.
Uma hora e meia a telefonar para os bombeiros e 112 sem que ninguém nos atendesse e a água sempre a subir.
Há coisa de 5 minutos (3 horas depois do início da inundação) o sr. Zeca, desentupidor de profissão lá nos atendeu o telefone e ‘diz que’ demora uma meia horita mas que vem já para cá.
Eu, a cheirar a esgoto até ao pescoço (curiosamente no meio de tanta gente era quem tinha os braços mais compridos e por isso é fácil imaginar a quem calharam as tarefas (literalmente) de merda) decidi que estava na hora de recolher aos meus aposentos e vir tomar uma banhoca.
O cheiro está entranhado nos meus poros e está a enjoar-me profundamente, acho que preciso de mais uns 5 ou 6 banhos…

É o dilúvio!!!

Diário de uma hipocondríaca

Sou hipocondríaca desde que me lembro. Podemos chamar a coisa de outra maneira e dizer que pura e simplesmente não bato bem da bola mas a verdade é que já em pequena achava que ia morrer de uma coisa estranhíssima que nunca tinha acontecido a ninguém.
Em tons de desabafo, o que os meus pais pensavam (andava eu na primária) que era uma desordem alimentar, era pura e simplesmente medo de morrer ao engolir a comida porque a minha irmã que era mais velha e por isso bem mais “vivida” (naquela idade 2 anos eram quase uma vida) me disse uma vez que se engolissemos e a comida “se enganasse” e fosse parar ao coração nós morríamos.
Consigo imaginar as doenças mais estúpidas à face da terra e aplicá-las ‘impecábelmente’ aqui neste corpinho.

Gorda? Eu não estou gorda, provavelmente tenho um problema na tiróide.
O quisto na mama é um fibroadenoma e não é maligno? Não, cá para mim vocês médicos especialistas não percebem nada disto e um dia descobrem tarde demais (os 3 especialistas a que fui) que afinal isto já devia ter sido tirado há uns anos.
Acordar com o braço dormente por má posição durante a noite? Não, tenho para mim que isto é um princípio de um AVC ou qualquer coisa do estilo.
Sofro por antecipação todos os dias. Por merdas idiotas.

Hoje no caminho para casa uma dor fortíssima no fundo das costas (já agora, se algum médico estiver a ler – quem é que eu quero enganar, só o gajodeleiria é que lê isto – a dor era do lado esquerdo, mesmo no fundo das costas mas antes de chegar ao rabo, any ideas?) fez com que por 2 segundos deixasse de sentir a perna esquerda.
Passou como chegou a dor: rapidamente e sem avisos.
Mas já tenho 1001 ideias de uma nova doença que tenho de arranjar para explicar isto.

Porque estou para aqui a escrever isto? Porque começo a partilhar com vocês (pronto, com o gajodeleiria) um pouco da minha insanidade.
Talvez ao ler isto depois eu me ache tão ridícula que mude de atitude…

“Mãe, vais ser avó”

Disse a cria há pouco.
Acrescentou
“Vou tirar o filho que tenho dentro da barriga aos 21 anos”.
Isto é assustador, mas não consigo neste momento voltar a tentar explicar a reprodução…