Frase do dia

Fé para mim é somente a última sílaba daquilo que me acorda de manhã.

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A Tia B.

A Tia B. era tia de todos nós há muitos anos. Fazia parte da família de cada membro do “gang”. Um gang de betinhos, forinhas, malucos, insanos até.
A Tia B. participava das nossas conversas. Ouvia as histórias das mocas e contava as histórias dela. Quando tinha “a nossa idade” (falamos de um intervalo de tempo de há 17 anos para cá) a Tia B., numa altura em que tal era impensável, saía de casa e voltava meses depois sem dar notícias a ninguém. Uma vez foi até na comitiva de um presidente da república para o Brasil. Avisou a família meses depois.
A Tia B. gostava de beber uns copos e fumava como uma chaminé. Passava dias e dias e dias (pelo menos TODOS desde que a conheço) a escrever. Folhas soltas, letra ilegível. Podíamos até ter ali uma Saramaga, estórias tinha ela aos milhares para contar.
A Tia B. tinha um apartamento em Lisboa onde fiquei quando fui ver os Pearl Jam a um estádio qualquer que já nem me lembro. Mas lembro-me de tudo no apartamento. Do cinzeiro (Fuma Querido), do candeeiro que funcionava com toques, da moca gigantesca.
A Tia B. ligava-me e pedia que lhe levasse folhas, “daquelas branquinhas do computador”, para escrever.
A tia B. casou aos 63 anos com um juíz comendador de 85 anos. Disse que não casaria se não fosse assim. Viveu a vida como mais ninguém o fez.
E há cerca de 6 meses, com 82 anos, a Tia B. foi pela primeira vez na vida ao médico. Para descobrir que tinha um cancro e 6 meses de vida. Recusou tratamento, recusou ir a hospitais até ao fim. Nunca teve uma dor, esteve sempre bem, apesar de já não conseguir andar porque “a perna direita já não funciona”.
Há 2 noites, a Tia B. esteve bem o dia todo. À noite delirou, falou sozinha, despediu-se da vida como só ela o sabia fazer.
Ontem a Tia B. partiu em paz. Sem dor, sem sofrimento. Como merecia uma vida destas.
Deixou numa agenda uma lista de nomes de “VIPS” que incluíam todos os cafés aqui dos arredores. Não havia um único café na zona das Antas que não tivesse tido o privilégio de ter a Tia B. a escrever lá. Todos os funcionários de todos os cafés daqui conhecem a Tia B.
E o meu nome estava na lista também. Porque a Tia B. era a tia de todos nós e por isso era minha também. E eu sua um bocadinho.

Mas tu julgas que estás a falar com quem???

Plagiadíssimo do blog do Aniceto, um vídeo de 2007 e que agora, 5 anos depois, tem mais uns números nas contas.

Toma cuidado com o que dizes…

Hoje de manhã, em conversa com o M., dizia-lhe “estou no auge”, referindo-me ao momento extremo de felicidade pelo qual estava a passar.
Gosto do emprego, amo o marido, estou bem com a família e os amigos. Tinha inclusive planos para um futuro mais próximo.
Não me sentia tão bem há muito tempo, se é que o fiz anteriormente.
Ao final da tarde a L. liga. Em princípio o hostel fecha no final do mês.
E eu volto ao mesmo.

Ainda a Insegurança Social

“Resposta a reclamação XXXXXXX:
Serve o presente para notificar V/ Exa. de que, após a conclusão da análise da reclamação pelo Centro Distrital competente do ISS, IP., foram extintos os processos em execução para os quais foi apresentada reclamação.”

Minha resposta:
“Serve o presente para requerer a V. Exa. o reembolso do valor em crédito dos processos executivos no montante de €2496.27 para o NIB XXXXXXX conforme o comprovativo em anexo.”

Mantra

Todos os dias deveríamos fazer o que fiz hoje. Tirar uma hora e falar com alguém especial.
Alguém que nos faz bem e que, neste caso em concreto, me acompanha há 30 anos. Alguém que nos faz sentir melhor.
Não estava mal antes disso, mas depois fiquei tão feliz que quase explodia.
Não sei se é de passar muitas horas caladas no emprego, e das poucas vezes que falo faço-o em espanhol ou inglês, mas gosto cada vez mais de conversas. Das conversas. Daquelas. 🙂
(E sentia tanta falta de dançar, ontem tudo foi (quase) perfeito (faltavas tu para atingir “o estado”).)

Celebridade por um dia

Texto original:
“Last Saturday we went to a popular mall in Virginia and conducted a bit of a social experiment. Using his real first and middle name, and with the help of just a few staged people, tons of people believed Thomas was a famous actor, including mall security. The mall assigned us a security detail who escorted us everywhere and helped close stores for the supposed celebrity. They also took us through private corridors to avoid the frenzy. Our cameras were quickly shut down, and most of our footage was captured with a single iphone. The following is just a taste of all the autographs, pictures, and people who wanted get close to all the commotion. Do something fun today.”

Gostei. Do something fun today 🙂