01 de Março, 10.15 da manhã

Quando comecei a trabalhar fui “emprestada” a um departamento que tem meses de trabalho em atraso.
Fui para um determinado sítio mas era suposto haver uma coordenação com um outro departamento (o que está a atrasar tudo), em que uma das pessoas ficou responsável por me dar uma formação sobre o programa que utiliza para que as coisas entrem nos eixos. Essa mesma pessoa, funcionária pública, velha, caquética e chata, recusa-se a dar-me essa formação com medo de ser “ultrapassada”.
Logo, em vez de eu poder fazer as coisas que tenho a fazer, tenho de ficar à espera que ela me envie os valores que necessito (em vez de poder ser eu a gerar os mesmos). Ainda por cima, de cada vez que tenho contacto com ela tenho de ouvir coisas como “foram esses olhos que lhe arranjaram o trabalho” ou “a menina, por acaso, sabe fazer contas de somar e subtrair?”.
A puta da velha está a tentar fazer de tudo para me boicotar o trabalho e ainda hoje ligou para aqui a dizer ao meu chefe que eu tinha feito tudo mal (até que ele viu os documentos e verificou que estava tudo certo). Há dias em que ela me deita abaixo, mas o carinho e motivação que recebo diariamente dos meus colegas e chefe (“quereremos que fiques sempre aqui” e coisas do género) fazem com que me vá aguentando bem.
Há pouco, logo a seguir ao telefonema da múmia, colapsei e não por causa dela. A irmã de uma das chefes do departamento “não gostava” do departamento onde estava e pediu para ir para lá.
Ou seja, se eu estou a título de empréstimo porque não têm condições de me manter lá sempre, competir com a irmã de uma chefe é quase impossivel.
Na próxima semana, em princípio, voltam 3 dos 4 colegas que estão de baixa ou férias. E não vai haver trabalho nem posto para as duas.
E agora?

(escrito em papel durante o trabalho. Ou escrevia ou desatava a chorar…)