Conversa entre 2 indivíduos de 15 anos no metro

– Mas tu já alguma vez tiveste uma moeda de 5 escudos na mão?
– 100 escudos é 1 euro.
– Não é nada, mano. 5 escudos é que é um euro.
– Pois. E 100 escudos são 20 euros.

(Tive de ir escrevendo isto no telemóvel para depois me conseguir lembrar de uma conversa tão, tão, tão surreal!!!)

O trabalho

Estou muito, muito, muito feliz por estar novamente a trabalhar.
Gosto de acordar às 06:55 para mais do que computador, televisão, cigarros e cafés. Adoro estar ocupada, adoro que me obriguem a fazer coisas.
Costumo brincar com o facto de dar uma ótima escrava, porque na realidade se me derem trabalho é como estou bem. Ganho uma pequena miséria, passo horas em transportes públicos por dia e estou feliz.
Para já estou “emprestada” a um determinado departamento dentro do sítio onde estou. Disseram-me que ficaria lá por 2 meses e depois me transfeririam para outro lado. O que me chateia um bocado, digamos.
Porque tenho o melhor ambiente de trabalho que já tive na vida (há dias em que me atiro para o chão de tanto rir), porque tenho novamente um horário “normal” com fins de semana livres e sem trabalhar à noite, porque o que tenho a fazer não é tão chato quanto isso, porque almoçamos todos juntos com as comidinhas que trazemos de casa e isso ainda nos torna mais unidos.
É aproveitar estes 2 meses e torcer para que no final eles me peçam muito muito para lá continuar 🙂
Quanto à parte negativa disto tudo… Porque na minha vida há-o sempre (e hoje não posso desabafar com o maridão sobre isto porque ele faz anos)!
Não serei a única mãe do mundo a sentir-se culpada por ir trabalhar e não dar tanta atenção aos filhos. Mas serei, com toda a certeza, a única a quem a outra pessoa igualmente encarregue de tomar conta da criança (que neste caso é a minha mãe) provoca nela um sentimento de culpa.
Dei 3 tarefas simples à minha filha quando comecei a trabalhar: passear a cadela (dela) quando chegasse a casa das aulas, fazer os trabalhos de casa / estudar e não faltar ao ténis.
Pois que em verdade vos digo que desde que comecei a trabalhar ela não levou a cadela uma única vez (a bicha é que sofre que tem de esperar por mim), não foi ao ténis uma única vez e tem teste de história na sexta e ainda não pegou num livro, para além de hoje nem sequer ter feito os trabalhos de casa.
As desculpas que me dá são tão estúpidas como a de hoje “estive a ver o sherlock holmes” e quando confronto a outra educadora sobre a situação, recebo respostas como “eu não mando” ou “se estiveres cá isso já não acontece”.
Isto vindo de uma pessoa que está há 5 meses sem trabalhar, de baixa, que passa os dias todos sem fazer a ponta de um corno, basicamente a ver televisão de manhã à noite.
Fico triste, fico revoltada, fico magoada, e todos os dias saio feliz para ir trabalhar e todos os dias chego a casa e fico de rastos…

Datas importantes para eu mais tarde recordar

(E que falarei com calma sobre elas futuramente)

4 de Fevereiro de 2012: comecei a trabalhar
12 de Fevereiro de 2012: 12 anos da morte do meu pai
13 de Fevereiro de 2012: no mesmo dia em que se sente um pequeno sismo no Porto (ou no meu caso, em Gaia, já que estava a trabalhar), a cria torna-se mulherzinha. Tenham medo, tenham muito medo!!!!