Pequenos momentos

Parar na mercearia de uma prima. Beber 2 copos de vinho branco numa espreguiçadeira enquanto se fala dos pais e dos tios, dos que já partiram e dos que cá estão. Passar ali 3 horas maravilhosas para chegar a casa e ter meio Carmo e 3/4 da trindade no chão. 

Que se foda, valeu a pena!

Anúncios

O estado em que estamos

04.08.2016, 00:59, sala de espera da urgência de psiquiatria. Não aguentei mais. Não durmo, faço a medicação direitinha, estou constantemente em pânico.

Vim ao hospital com receio que fosse algo mais. Sim, quando temos

——-

04.08.2016, 08:49, casa. Fui chamada no momento em que estava a escrever aquele texto. Nova dose (2 a 3 anos, disse o médico) de antidepressivos com bomba de calmantes para ver se a coisa vai ao sítio.

Terminando o meu raciocínio de há pouco, quando temos um ataque de pânico é sempre fácil pensar que agora é a sério, estou mesmo a morrer. Mas o meu pensamento nem foi tanto esse mas mais estou a sangrar há 23 dias e de certeza que tenho algo muito grave.

A P. está com cancro. Linfoma, mais precisamente. Uma coisa terrível, 8 meses de internamento e os filhos, pequeninos, sabem que a mãe está doente mas nem fazem ideia do que é. O S. mostra-se forte, é o que tem de fazer. A família fica toda um bocado à rasca e sem saber o que fazer ou o que dizer.

A minha bisavó materna morreu de cancro da mama. E estou farta de ver amigos e família a serem atacado por esta merda desta doença. 

A verdade é que tenho sempre medo que me toque a mim. Tenho motivos preocupantes para vários tipos diferentes, desde o tabaco aos escaldões que apanhei em miúda, aos milhões de sinais anormais que tenho, ao estilo de alimentação (onde se inclui a bebida), até mesmo motivos genéticos. Por isso faço filmes na minha cabeça. 

Tenho falta de ar e ritmo cardíaco muito acelerado e reconheço logo que é um ataque de pânico. Mas se tenho falta de ar, “gatos” cá dentro, o coração não acelera muito e estou a sangrar abundantemente há 24 dias, então de certeza que é algo mais. O meu pensamento é este, basicamente.

Bem, vou mas é fazer as análises para quando chegar a casa poder tomar os drunfs e descansar um bocado (dormi 3 horas esta noite)

Pirar


A aldeia foi o descanso que se arranjou. Honestamente, levar a T. e as suas 2 filhas não me ajudou nada, houve até 3 situações em que as ânsias andaram descontroladas. Uma das vezes, durante a noite, acordei mesmo a pensar que estava a morrer, que não sobrevivia, que ia ficar ali estendida sem auxílio porque o hospital mais perto ainda é longe! 

Voltei ontem e hoje as discussões domésticas recomeçaram. Já só penso em fugir para a aldeia de novo, desta vez sem filhos dos outros para me moerem a cabeça.

Ando muito cansada (o período continua e já nem sei há quantos dias ando nisto), provavelmente anémica, vou tentar que me passem um P1 para análises na quarta quando for com o herdeiro ao centro de saúde para tomar vacinas. Tenho os nervos descontrolados, não tomo café há 3 dias e parece que tomei 50. 

Não sei se pirei de vez. Só sei que está cada vez mais difícil…