Coisas que até gostava de perceber

Sei muito pouco sobre economia e política, mas ainda vou percebendo algumas coisinhas. O que realmente não percebo mesmo são as lógicas da batata.
Estamos a atravessar uma crise realmente grande. Não há empregos, todos os dias são despedidas mais pessoas do que são contratadas e um dia destes vamos andar todos aos tiros, a roubar e a matar para podermos sobreviver.
Em Espanha, onde há aproximadamente 46 milhões de pessoas, 24% delas estão desempregadas e aqui a coisa não está muito diferente.
Eu própria, neste momento, estou à procura de emprego e concorro a tudo e faço tudo menos a função de comercial. Sim, lavo escadas e faço camas se para isso me pagarem.
Ora, no zapping matinal, notícias como “Governo quer despedir 2 mil pessoas e espera com isso poupar 200 milhões de euros” (na área dos transportes) faz-me alguma comichão. Sim, poupar 200 milhões de euros é, obviamente, muito bom. Mas são mais 2 mil desempregados. Mais 2 mil famílias que passarão por (mais) dificuldades.
E nestas merdinhas acho que os gajos andam completamente à nora. Ainda não perceberam que ao aumentar o IVA na área da restauração, por exemplo, fez com que no primeiro semestre deste ano ocorresse uma quebra brutal de pessoas a almoçar/jantar fora, o que provocou logo o encerramento de vários restaurantes.
E não percebem que ao pouparem 200 milhões estão a foder a vida a mais 2 mil famílias. Claro que depois nos pedem sacrifícios. Pedem-nos que baixemos as calças e aguentemos de sorriso na cara.
Mas gostava de ver os sacrifícios deles. O que estão a cortar nos salários deles, nos carros de estado, nos jantares, nos almoços, em tudo o que andam a mamar à nossa custa.

Tradução do dia (27.07.2012)

– The man they arrested back then? It just never felt right.
– Arrastaram o homem para trás e, não me pareceu certo.

Trashy

Este é o ano, dizia eu.
Foram precisas algumas conversas com a cria para que chegássemos a consenso, mas finalmente ela percebeu que “mudar de casa” não quer necessariamente dizer “mudar de vida”.
Para mim é importante o nosso ninho. Porque se estiver só com um ou com o outro (dos meus amores) estou sempre incompleta. Precisava de deixar de me sentir mal por dormir numa ou noutra casa. Por deixar um ou o outro durante a noite.
E a decisão foi pensada (andou a ser pensada meses), tomada e comunicada.
Sim, vai acontecer. Ou ia, não sei bem… Na realidade, quando tudo parece correr bem demais, já sabemos que vai acontecer alguma coisa que f*de tudo.
Eu gosto do meu trabalho. Não gosto de fazer tantas camas, odeio lavar as sanitas onde dezenas de pessoas se sentam todos os dias, detesto limpar os cabelos dos outros (descobri que é o que mais me mete nojo), sinto-me mal só de pensar em acordar todos os dias às 06:30 da manhã, frustra-me não ter tanto tempo para dedicar à cria. Mas gosto de conversar com pessoas de todo o mundo, de ter um tempo só para mim, de ter uma rotina, de estar ocupada e, principalmente, de chegar ao fim do mês e ter um ordenado.
As estrelas alinharam-se e nós dissemos “o sim”. A troca de anilhas acontecerá em julho e o plano era ir mudando as coisas devagarinho até estarmos todos debaixo do mesmo tecto.
E então eles chegam e dizem “no próximo mês fechamos as portas e vocês vão todos para o desemprego”. Fazem-no da pior maneira possível, com mentiras, esquemas, tentativas de burla e sem um pingo de carácter. Fazem-no e no fim da reunião dizem “ah, temos de voltar à piscina porque deixei lá o iphone”. Fazem-no e voltam para o mundinho deles, deixando na merda 3 trabalhadoras que, nas palavras deles, “fizeram mais por isto nos últimos 5 meses do que os outros nos 3 anos anteriores”.
Hoje, 2 casais já saíram daqui. Com a promessa de voltar, que adoraram tudo, que o staff é excelente, que a casa é muito limpa, que vão recomendar a todos os amigos.
Uns disseram mesmo que em agosto voltavam. E eu sorri, agradeci, e quis dizer “não, não voltam, vamos estar fechados”.
E os meus sonhos? E os meus planos? E o voltar a procurar emprego, a ir a entrevistas desanimadoras, a promessas de 60 horas semanais de trabalho por 300€?
E a minha vida? Quando começa a sério?